Água e Sabão

Elegância o que é? Água e Sabão... Este é o blog do Jader, um cara gente boa, de bem com a vida, inteligente, que curte música, cultura, literatura, ciência, internet e também tem seus insights sobre o mundo e as coisas e pessoas que o habitam.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007

30.07.07

Árvore Genealógica

Mas um texto do nosso maravilhoso escritor...
Pra variar, inteligente e bem humorado!

Um abraço e boa semana!



Árvore Genealógica
(Luiz Fernando Veríssimo)

- Mãe, vou casar!!!
- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?
- Não é moça.. Vou casar com um moço. O nome dele é Julio.
- Você falou Julio... ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
- Eu falei Julio. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
- Nada, não... Só minha visão é que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso...
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea.
- E quando eu vou conhecer o meu... a minha... o Julio?
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
- Tá! Biscoito.... Já gostei dele. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?
- Por quê?
- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
- Você acha que o Papai não vai aceitar?
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas, isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com pinto....
- Mãe, que besteira... hoje em dia... praticamente todos os meus amigos são gays.
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... pra poder apresentar pra tua irmã..
- A Bel já tá namorando.
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?
- Uma tal de Veruska.
- Como?
- Veruska...
- Ah, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
- Mãe!!!
- Tá..., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
- Quando ele era hétero. A Veruska.
- Que Veruska?
- Namorada da Bel....
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... É a atual namorada da tua irmã... que é minha filha também... que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
- É isso. Pois é.... a Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.
- De quem?
- Da Bel.
- Logo da Bel?! Quer dizer, então... que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska?!?...
- Isso.
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito filha da Veruska e filha da Bel.
- Em termos...
- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
- Por aí...
- Por outro lado, a Bel..., além de mãe, é tia... ou tio... porque é tua irmã.
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
- Só trocar, né? Agora, o óvulo vai ser da Bel.. E o ventre, da Veruska.
- Exato.
- Agora, eu entendi! Agora eu realmente entendi...
- Entendeu o quê?
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
- Que swing, mãe ?!!...
- É swing, sim! Uma troca de casais... com os óvulos e os espermatozóides, uma hora do útero de uma, outra hora no útero de outra...
- Mas...
- Mas, uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior...com incesto no meio.
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
- Sei... E quando elas quiserem ter filhos...
- Nós ajudamos.
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...
- Que...?
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... será uma merda!
  • criado por  Jader criado por Jader
  • Postado em 09:57:18

29.07.07

Ócio, preguiça e não fazer nada

Depois de dois dias recluso em minha casa por pura opção, me veio à mente uma dúvida inquietante: como diferenciar ócio, preguiça e não fazer nada? Interessante, não?



Para os que me conhecem, sabem que tenho uma característica bem prática e já devo ter proposto este tópico com as respostas na manga... mas não desta vez! Estou aqui, num momento de filosofia online... usando aquelas roupas hiperconfortáveis que já não se pode mais usar na rua, assaltando a geladeira de vez em quando, ouvindo uma música estranha e bem legal no rádio, olhando a linda lua cheia no céu, baixando umas (muitas) músicas e digitando este post...
Como cheguei a este estado? Bem, depois de uma baita festa na noite de sexta, um resfriado xarope daqueles decidiu alojar-se no meu pobre organismo... resultado: garganta inchada (agravada pelo fato de ter cantado e gritado na festa), voz do Darth Vader, nariz "cremoso", olho vermelho lacrimejando o tempo todo e um sono incontrolável... como não tinha absolutamente nada para este final de semana, o último das minhas férias, o indivíduo que vos escreve decretou que iria curtir o ócio, a preguiça e não fazer nada! Ontem à tarde fui à locadora, peguei 3 DVDs, voltei pra casa e armei meu acampamento na sala. Cobertor, travesseiro, almofadas, os controles da TV e do DVD, telefone do lado, um rolo de papel higiênico e desliguei os neurônios vendo 2 filmes... cérebro funcionando no piloto automático... não saí de casa depois disso, jantei, fucei um pouco na internet e fui dormir. Hoje, depois de almoçar, armei novamente uma filial do Circo Vostok na sala e assisti a mais um filme...
E cá estou tentando determinar as linhas que delimitam as fronteiras entre o ócio, a preguiça e o não fazer nada... No dicionário, ócio e preguiça são sinônimos, mas há sutis diferenças: eu associo ócio à inatividade por falta do que fazer; e preguiça à inatividade por negligência... concluindo minhas suscintas definições, acho que "não fazer nada" é o ato de desopilar a mente depois de um período de atribulações...
Abro o fórum para discussões, se acharem necessário...
Um abraço!
  • criado por  Jader criado por Jader
  • Postado em 18:38:27

24.07.07

Sutilezas e gentilezas

Olá, meus amigos.
Depois de uma semana viajando (literalmente), estou de volta às postagens do Água e Sabão, trazendo mais um convite à reflexão.



Pois esses dias li numa revista um artigo que falava de sutilezas e gentilezas: coisas simples, que pra variar fazem muita diferença se forem levadas a sério em nossas vidas.
- Cumprimentar o vizinho, o colega, o motorista do ônibus ou do táxi, o atentente da loja ou o caixa do supermercado é um gesto simples, sutil e muito gentil;
- Evitar aborrecimentos com discussões, intrigas, fofocas e afins é algo que preserva a mente sã e é algo muito gentil conosco;
- Não monopolizar a conversa é um ato sutil e é também ser gentil com os outros interlocutores;
- Não falar de dinheiro é algo extremamente gentil;
- Cumprir com horários é ser gentil com todos;
- Manter uma política de boa vizinhança com parentes, colegas e amigos é muito gentil;
- Sorrir é algo sutil e demonstra gentileza até pra nossa alma;
- Evitar lamentações, reclamações, resmungos e crises de coitadismo é um ato grandiosamente gentil com os que estão à sua volta e mais ainda com aquele que parou de se fazer de vítima e acordou para a realidade de que todos estamos na mesma canoa;
- Dizer a verdade é bom, mas a maneira como esta verdade é dita pode ser ou não sutil e conseqüentemente, pode acabar não sendo nem um pouco gentil...

Não me recordo do texto na íntegra, mas me lembro que ao lê-lo parei e fiz algumas reflexões a respeito... e percebi que tenho que mudar alguns pontos na minha maneira de lidar com coisas e pessoas.

Muitas coisas são de simples implementação, o ingrediente principal desta receita é QUERER! A peleia é dura, mas venceremos com as armas do esforço e da persuasão a nós mesmos.

Um grande diretor cênico nos disse há poucos dias, que temos que levar a vida COM o que temos e não APESAR do que temos...
Viram a diferença sutil da frase? E o efeito que ela causa, será que é tão sutil assim?

Grande abraço!!!
  • criado por  Jader criado por Jader
  • Postado em 23:32:19

14.07.07

Viajar é preciso

Pois o autor deste humilde blog posta hoje diretamente de São Bernardo do Campo, SP. Sim, estou de férias. Sim, resolvi viajar. Não, não vou ficar muito tempo aqui. Estou indo amanhã para uma cidade mineira chamada Itajubá, fazer um curso de música muito bom (já o fiz uma vez, há dois anos).

Infelizmente não poderei postar muita coisa por lá (nem sei se será possível, pois sei que a estrutura do lugar que sedia o evento é um pouco deficiente em termos de informática) e também não poderei estar respondendo e comentando os posts da União Blogueira...

Mas volto pra casa na outra segunda (se sobreviver a mais um possível chá de banco no aeroporto...) e ponho as coisas em ordem, pois estarei de férias por mais alguns poucos dias depois...

E é isso, Um grande abraço!

P.S.: Para aqueles que tiverem curiosidade sobre o evento, provavelmente haverá atualização diária de fotos no site www.laboratoriocoral.unifei.edu.br (no ano em que participei havia muitas fotos novas diariamente).

  • criado por  Jader criado por Jader
  • Postado em 20:27:22

07.07.07

Música no escuro

Tem uma música do Luiz Gonzaga chamada "Forró no Escuro", que fala de um baile que continuou mesmo depois do candeeiro ter se apagado.
Quinta-feira passada à noite aconteceu algo semelhante. A Sol e Cia. Escola de Música realizou um recital alusivo aos 16 anos da escola. Foi na Fundação Scheffel, pra quem conhece (pra quem não conhece, vale a dica, um museu lindo, amplo, um lugar classudo onde estão expostos quadros, esculturas e uma infinidade de obras de arte deste artista de nossa cidade). Pois bem, lá tem um piano maravilhoso e foi nele que nós tocamos.



Tudo ia maravilhosamente bem, até que houve uma pequena queda de energia elétrica, obviamente enquanto havia uma pessoa tocando. A energia voltou, o colega repetiu a música e deu tudo certo.
Momentos mais tarde, durante a minha apresentação (depois de ter tocado 80% da música), nova pane elétrica. Desta vez, sem volta. Fiquei eu sentado à frente daquele piano sem saber onde estavam as teclas... (tem um colega nosso que é cego, toca piano magnificamente bem e até compôs um chorinho: confesso que senti ciúmes do Gabriel, que não notaria absolutamente nenhuma diferença)...
Perbebeu-se que a luz não voltaria tão cedo e, após algumas pessoas sacarem seus celulares dos bolsos, alguma luminosidade habitou aquele lugar e eu finalizei a minha música.
Lindo, né? Pois eu gostei mesmo assim...
Os outros colegas também tocaram sob a luz de muitos celulares e tudo virou festa! O recital encerrou-se brilhantemente, mesmo sem energia elétrica...
No final, quando muitos já haviam ido embora e os que ficaram estavam cumprimentando-se, a energia elétrica voltou....
Mas daí já não precisava mais...
  • criado por  Jader criado por Jader
  • Postado em 12:48:28